quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A Barata Gigante – continho onírico

Ela estava na parada de ônibus, mais duas pessoas havia. Sua mãe e uma desconhecida. Esperavam o circular no meio da áspera manhã, quentíssima e preguiçosa. Avistaram tentando subir na parede uma barata muito preta e cascuda, feito um besouro mais desajeitado. Caía virada, a espernear, a barata. Uma, a desconhecida, disse: que barata grande. Outra, a mãe, comentou: é mesmo. A outra outra, que era ela, emendou espantalhada: ela é do tamanho de um cachorro! E era. Sabe-se lá por que as umas assim não viam.
A barata era do tamanho de um cachorro. Não lhe puseram coleira, continuaram a esperar. O inseto levantou voo hábil, melhor do que sabia andar com aquelas cascas e embaralhapernas. Avermelhou-se quando voando se tornou translúcida, na reduzida densidade do voo. Ameaçadora, demonstrando toda a sua ruivez, era voadora, do tamanho de um urubu.
As duas umas nem davam por isso. Para elas mesmas era somente uma barata grande sem nenhuma especialidade. Para a mais outra, ela – com os braços se protegia.
Será que o medonho medo transmitia tanto poder à barata que só para ela o inseto crescia monstro? Era isso mesmo. Sim. Foi um sonho professor de desfazer autofeitiço.
Ela pegou na bolsa uma lente que levava para minúsculas leituras e olhou através, no diminuto, no revés, a baratona – que caiu redemoinhada, embaralhadinha e pequena. Agarrou o inseto com uma pinça e o guardou sem esperneio numa caixa de fósforos.
*inspirada num sonho dormido, numa preta velha, em Jorge, em Tuca, em Mai, em mãe, em Rosa, em Mia.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Conheci uns olhos hoje
(eram um par)
com mania de me causar encantos.
Foi um caso.
-----------------------------------------


Setembro chegou,
tão esperado,
e foi incêndio no cerrado.
Não foi agosto...
Mês desalmado!
-----------------------------------------


Eu tenho um amigo.
E digo: é olhar pro meu umbigo
(pra ver se me enxergo!).

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

     
         Céu cinza (c[éu]inza). Ar abafado (a[r]bafado) e as mãos do calor pegando em toda a parte (ser tão). Meio (ambiente) opressivo. Um pouco opressor, mas às vezes. Só às vezes, pra mim. Eu também gosto dessa seca, até enquanto não gosto. Flores intensas (falou minha irmã, ontem, quando íamos no carro: "essa seca terrível e o pessoal aí mandando ver." Isso ela disse das flores que passavam de várias cores, lindas, muitas. Nós passávamos. E era alegremente). É assim que as coisas são. Apesar, admiravelmente apesar, tem tanta coisa considerável no mundo.